ELSA EM DADOS - #26
Um tempo de pausa, reflexão para continuar viva, funcional e produtiva
Ao longo de mais de dois anos, com exceção de mínimos atrasos, eu assumi o compromisso de trazer mensalmente, todo dia 5, às 09h05 no seu melhor e-mail, a Elsa em Dados.
A ideia surgiu despretensiosamente, da minha vontade de compartilhar o que via, lia, ouvia, assistia, considerando que a rotina adulta acaba nos afastando dos nossos e que eu realmente gosto de descobrir e compartilhar informações novas.
Mas a vida não é um morango. Vocês, que estão aqui faz algum tempo, já sabem do período de luto que venho enfrentando, com a perda do meu pai. E não é um luto comum. É a orfandade plena, que já mencionei por aqui anteriormente. É perder a segunda metade dos seus elos no mundo. Saber que agora você trilha seu caminho sem suas maiores referências. E spoiler: é bem pesado.
Como alguém que trata ansiedade e depressão há boas décadas, assim que a questão surgiu, já busquei o psiquiatra e o psicólogo, porque sozinho ninguém faz nada. A vida continua, mas não pode ser miserável e não há absolutamente nada de errado em pedir ajuda quando percebemos que não somos Atlas tendo de sustentar o peso do mundo nos ombros.
E assim segui, tentando ser racional, pragmática, funcional e fingindo que por dentro, eu não estava miserável. Fake it until you make it. Parece pronto, fácil e prático, mas a vida cobra. Continuar tão ou mais funcional do que antes do ocorrido me gerou um desgaste não apenas emocional, mas físico. E meu corpo está pedindo para desacelerar.
Odeio a parte de doenças psíquicas, porque colocam sobre nós o peso de ficar bem. “Seu problema é estresse”, ou “É emocional”, são sentenças que nos responsabilizam por ficar bem. É uma cobrança para manter sua merda junta sem despirocar. Eu sei lidar melhor quando é algo físico. E foi o que aconteceu. Nesse papo de fake it, o dano emocional se tornou físico. Meu corpo está implorando para eu parar de aguentar tudo e ficar mais quieta.
Entre fevereiro e abril, passei 60 dias em casa, saindo apenas para o essencial. As interações com o mundo vieram dos bons amigos que se dispuseram a vir me ver em meu lar, cientes de que eu já não tinha força física para socializar. Há um agravante: eu moro com a minha irmã, que tem questões de saúde, e nas vezes que tentei sair um pouco da bolha, tive de novamente ser suporte.
Nesse meio tempo, eu queria agradecer especialmente aos amigos que compreenderam tudo e vieram me visitar na minha casa. Gente de perto, de longe, nova, antiga, que nunca tinha me visto ou que já estava cansado da minha cara. Contar com uma rede de apoio tão boa é uma das coisas que me ajudou a chegar até aqui.
A bem da verdade, eu estou tal como Belchior, cansada do peso da minha cabeça. E chegando agora mais um dia das mães, sem a minha, que era a pessoa que mais amava no mundo, recorro ao que ela costumava me dizer em tempos de dúvida, dor e cansaço: “Se não sabe para onde nadar, boie, em algum lugar você vai chegar”.
Então, no momento, é tempo de pausa. Não é uma despedida, mas um período de recalcular rota e pensar como seguir os próximos meses de maneira menos dolorosa, produtiva e emocionalmente melhor. Eu fui na banguela ao longo de 2026 e chegou a hora de estacionar para abastecer.
Queria agradecer a todos que de alguma forma me ajudaram a chegar até aqui. Muito, muito obrigada. Sem vocês, ainda que infimamente, eu não queria conseguido.
Em breve, novidades, continuem por aqui.
Até mais e obrigada pelos peixes.

